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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Começa eleição para os cargos da Mesa Diretora da Câmara

Cristiane Jungblut e Maria Lima - O Globo; Agência Câmara

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Arlindo Chinaglia (PT-SP), comanda a sessão que está escolhendo o novo presidente da Câmara - Givaldo Barbosa

BRASÍLIA - Após uma sessão marcada por discursos inflamados, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), deu início à votação nominal e secreta para os cargos de presidente da Câmara e demais postos da Mesa Diretora. Até agora, foram contabilizados mais de 300 votos. Se um dos candidatos obtiver a maioria absoluta dos votos, ele é considerado eleito, assume a presidência e realiza a apuração dos demais cargos. No caso de segundo turno, o atual presidente define o horário da nova sessão. ( Quem vai vencer a disputa na Câmara? )

Após a eleição de Sarney para a presidência do Senado, o líder do PT na Câmara, Maurício Rands, afirmou que o partido vai votar praticamente de forma unânime em Michel Temer (PMDB-SP) para presidente da Casa. Rands disse que a vitória de Sarney não vai interferir na Câmara. Para o deputado, a possibilidade de o PMDB comandar as duas Casas não vai afetar os rumos do governo Lula.

Rands disse que é importante o PT votar em peso em Temer porque isso evita a aproximação do PMDB com a possível candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), a presidente em 2010 e reforça a possibilidade de a maior parte do PMDB vir a apoiar uma eventual candidatura de Dilma Rousseff. O líder do PT informou que Temer deverá receber até mesmo os votos dos deputados Domingos Dutra (PT-MA) e Nazareno Fonteles (PT-PI), que antes admitiam votar em outros candidatos.

" Temer agora aposta tudo para ganhar ainda no primeiro turno porque, se houver segundo turno ele será o novo Greenhalgh "

O candidato do PP, Ciro Nogueira (PI), no entanto, disse acreditar que a vitória de Sarney vai influenciar o resultado da eleição na Câmara. Para o deputado, Temer "havia apostado tudo" na eleição do senador Tião Viana (PT-AC) para que houvesse "um equilíbrio de forças" já que Temer e Sarney são do mesmo partido.

- Temer agora aposta tudo para ganhar ainda no primeiro turno porque, se houver segundo turno ele será o novo Greenhalgh - disse Ciro Nogueira, em referência à eleição de 2005 para a Mesa Diretora, quando o então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) era o favorito e foi derrotado no segundo turno por Severino Cavalcanti (PP-PE).

Temer diz que se eleito vai transformar a Casa

O deputado Michel Temer discursa na Câmara - Givaldo Barbosa

Interrompido pelo menos duas vezes por aplausos, Temer disse que, se eleito, vai transformar a Casa num local de debates dos grandes temas do país, a começar pela crise econômica. Favorito na disputa, Temer prometeu levar para votação em plenário todos os temas polêmicos.

- Queremos que a Casa participe dos debates dos grandes temas nacionais, como a crise que está batendo às portas do país, que queremos debatê-la. Faremos um calendário legislativo: não terá tema polêmico que não venha para o Plenário - disse Temer, afirmando que o Poder Legislativo também é governo, porque esse é formado pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

" Faremos um calendário legislativo: não terá tema polêmico que não venha para o Plenário "

Temer disse ter certeza de que o deputado "trabalha mais lá", em seus estados, muitas vezes, do que nas sessões legislativas, sendo aplaudido. E prometeu espaço aos partidos menores, que estão reclamando do processo de eleição do novo presidente da Casa.

Ciro pede votos ao baixo clero; Aldo faz discurso duro

Ciro Nogueira (PI) se direcionou aos deputados do chamado baixo clero, maioria de menor influência política, ao pedir votos nesta segunda. Ele afirmou que os colegas, "para serem ouvidos, primeiro têm que ser enxergados". Em crítica a Temer, que tem o apoio oficial da maioria dos partidos, afirmou:

- Depois de eleitos, se isolam e elegem os deputados de primeira e segunda categoria. Na hora de votar, pensem bem se vocês querem continuar sendo apenas marionetes ou verdadeiros deputados, atores da mudança. A minha candidatura pertence a todos - disse Ciro, que criticou o processo eleitoral e reclamou do excesso de poder para o PMDB, que já levou o comando do Senado e pode garantir o da Câmara.

- Não estamos elegendo aqui o próximo presidente da Câmara, mas o próximo presidente da República, pelo fortalecimento de um só partido.

Ciro Nogueira e Aldo Rebelo se cumprimentam antes da votação - Givaldo Barbosa

Em um discurso duro, o candidato Aldo Rebelo (PCdoB-SP) também disse que o comando do Congresso para um só partido não seria "saudável para a democracia". Ele também criticou as especulações de que um eventual apoio do PMDB à pré-candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, estaria vinculado à eleição de Temer:

- Imagina depois a lista interminável de reivindicações que haverá - afirmou Aldo, recebendo aplausos em seguida.

Deputados passam mal durante a eleição

Dois deputados passaram mal durante o processo eleitoral. Carlos Wilson (PT-PE), que está em tratamento contra um câncer, entrou no plenário de cadeira de rodas e se sentiu mal antes do início da votação, sendo levado para o departamento médico. Segundo parlamentares, o petista, que foi presidente da Infraero no primeiro governo Lula, teria tido até convulsões. Nice Lobão (DEM-MA) também passou mal e deixou o plenário em uma cadeira de rodas. Segundo informações, ela sofre de problemas de coluna. A parlamentar é casada com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e mãe do senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA).

Sessão começa tumultuada com contestação sobre horário

Chinaglia abriu pouco depois das 10h a sessão. A estratégia dos líderes que apoiam Temer de iniciar o processo ao mesmo tempo do Senado, evitando assim eventuais insatisfações com o anúncio da provável vitória de Sarney por lá, foi levada tão ao pé da letra pelos deputados que a sessão da Câmara começou antes mesmo do Senado. (Conheça as regras para as eleições na Câmara e no Senado, e a importância de cada Casa)

No início da sessão, os defensores das campanhas de Aldo e Ciro Nogueira se revezaram nos microfones contestando a decisão de domingo que antecipou a sessão e, assim, retardar o processo para que o resultado do Senado saísse antes do início da votação na Câmara. Com isso, queriam abrir margem para as traições na base aliada.

" Temos que conseguir adiar ao máximo a votação. Vamos fazer obstrução, questão de ordem, usar o regimento para esperar o resultado do Senado "

- Temos que conseguir adiar ao máximo a votação. Vamos fazer obstrução, questão de ordem, usar o regimento para esperar o resultado do Senado. Sabemos que o Sarney já está eleito, mas na hora que for divulgado o resultado oficial, isso terá um impacto emocional, e isso é essencial. Por isso a turma do Temer tratorou e manobrou para antecipar a eleição aqui - afirmou o deputado Sílvio Costa (PMN-PE), aliado de Aldo Rebelo.

O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), comentou a saída do candidato avulso Osmar Serraglio (PMDB-PR) da disputa, anunciada na noite do domingo. Ele negou que o paranaense tenha desistido em troca de algum cargo na Mesa Diretora e afirmou que esta segunda ficaria marcada como "o dia da instituição", em referência ao amplo arco de apoios de Temer.
PP diz que Ciro tem cara dos 'desassistidos', PSOL declara voto em Aldo

O líder do PP, Mário Negromonte (BA), usou os argumentos da amizade com os deputados e da autonomia do Legislativo para defender a candidatura de Ciro Nogueira. Negromonte afirmou ainda que Ciro, popular entre o baixo clero, "tem a cara do parlamentar, principalmente os mais desassistidos" e comparou seu candidato ao ex-presidente da Câmara Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), morto em 1998:

O líder do "bloquinho" formado por PSB, PCdoB e PMN, Márcio França (PSB-SP), apelou para a postura de Aldo Rebelo durante o escândalo do mensalão, em 2005 e 2006, para pedir votos. Segundo ele, a "lealdade" de Aldo na época como presidente da Câmara o credencia para um novo mandato. Antes, o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), declarou que os três deputados da legenda iriam votar em Aldo. O parlamentar aproveitou os cinco minutos a que teve direito para pedir mais espaço para o partido.
Chinaglia faz balanço de gestão e nega frustração

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia - Agência Câmara

Em discurso de despedida, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fez um balanço da sua gestão, defendendo que seja finalizada a votação da proposta que muda o rito das medidas provisórias, sua principal bandeira no mandato. Ele negou qualquer tipo de frustração e também afirmou que sempre estimulou o debate na Casa:

- Não saio frustrado, não trabalho com a ideia de frustração. Salvo uma ou outra intempérie, tivemos aqui nesses dois anos um ambiente de respeito. Fizemos o que foi possível e, na reforma política, no que ela tem de essencial, nós avançamos - disse o petista.




http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/02/02/comeca-eleicao-para-os-cargos-da-mesa-diretora-da-camara-754228793.asp

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