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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Breve análise do julgamento judaico de Jesus

Por Daniel Grubba
Aproximadamente um terço dos evangelhos narram os eventos derradeiros da vida de Jesus. De fato, muitas coisas importantes aconteceram neste pequeno espaço de tempo chamado de "Semana da Paixão". Teologicamente podemos dizer que foi um momento crucial no desenvolvimento da história da Redenção.
Um trecho bastante explorado por estes biógrafos autorizados de Jesus trata-se exatamente das acusações e dos julgamentos legais em que o rabi da Galiléia foi submetido pouco antes de ser morto cruelmente. Tudo foi muito rápido: ele foi traído por um "amigo", preso, espancado e acusado de blasfêmia pelas autoridades judaicas, entregue ao poder governamental de Roma e condenado à morte da cruz.

Na verdade, podemos observar dois tribunais de julgamento atuando no controverso caso deste simples judeu de Nazaré: o julgamento judaico e o julgamento romano. Ambos, diga-se, cheios de contradições, engodos, e incoerências. O fato é que um homem justo e inocente foi condenado a uma morte escandalosamente brutal. Vejamos agora somente o primeiro julgamento.

01º erro: Ação investigativa violenta e desmedida contra integridade física e moral de um Inocente desprotegido (ver: Jo 18.12-24 ; Mt. 26.57-68; Mc. 14.53-65)
O pobre Jesus foi tomado a força enquanto orava no jardim do Getsêmani por uma turba violenta, sem nenhuma chance de defesa. O condenado em questão queixou-se da conduta desmedida dos algozes e também da falta de razão legal. Em sua própria defesa ele disse: Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês venham me prender com espadas e varas? Todos os dias eu estive com vocês, ensinando no templo, e vocês não me prenderam (Mc. 14.48-49). Podemos ver que a conduta de Jesus era típica de um rabino judeu, ele ensinava publicamente a vista de todos, e não havia nada de errado nesta atividade, nem a seus próprios olhos como vimos, nem aos olhos do povo. A violência, portanto, além de gratuita foi desproporcional.

02º erro:
O julgamento do Inocente ocorreu em secreto, desconsiderando os procedimentos legais da época.
A principio não há nenhum erro aqui, nem todos julgamentos são públicos. Porém, a convocação geral das autoridades judaicas (O Sinédrio) para julgamentos de acusados nunca poderia acontecer na alta madrugada, como aconteceu neste caso. O fato do julgamento ocorrer na clandestinidade, revela a perversidade da trama que o Sinédrio envolveu Jesus, com o intuito de calá-lo, condenando-o a morte (Mt 26.3-4). Estes líderes sabiam que o julgamento não poderia ser durante o dia - a vista do povo - pois certamente haveria tumulto e protesto.

03º erro: As incoerências das acusações contra o Inocente.
Marcos, em seu registro, especifica o imbróglio que envolveu o julgamento. Todas acusações não passavam de falsos testemunhos, o que por sinal é condenado veementemente em todo Lei dos judeus, até mesmo no Decálogo (Dez Mandamentos). No capítulo 14 de seu evangelho, dos versículos 55 a 59, ele nos diz que as autoridades judaicas não encontravam nenhuma denuncia que fosse verdadeira. Estava claro, até mesmo para os juízes presentes, que todas as acusações eram incoerentes, falsas, e baseadas em uma compreensão distorcida de uma profecia de Jesus (Jo. 2.19).

04º erro: O Inocente foi condenado por blasfêmia pelas autoridades judaicas.
O rabi nunca blasfemou contra o D´us dos judeus. Nunca ouve alguém tão dedicado ao zelo pela honra do Eterno Adonai. Bastavam algumas testemunhas a favor do mestre para comprovar que a declaração de Jesus diante do Sinédrio (de que ele era o Messias) não era uma ofensa a Deus. Mas as tais, testemunhas a favor, sequer foram convocadas, portanto estamos presenciando um julgamento secreto e macomunado. É bem possível que se elas fossem convocadas para testemunhar a favor do réu, não tivessem muita coisa a dizer. Bastava mostrar ao Sinédrio os leprosos, cegos, paralíticos, possuídos e enfermos; todos curados como evidência cabal de que aquele Inocente em juízo, não poderia nunca, ser um homem comum, ou um impostor.
Fechamento
O Inocente foi bem cedo ao amanhecer, logo após ser condenado pelo Sinédrio, levado ao governador romano Pilatos, para ali ser mais uma vez acusado pelas autoridades judaicas, mas desta vez de “sedição contra César”, o Soberano senhor do mundo antigo. Mas esta parte fica para depois.
Os únicos que poderiam ajudar Jesus eram seus amigos e seguidores. Bom...estes fugiram, morrendo de medo de serem presos e mortos também. As mulheres, mais corajosas, não tinham voz alguma para reverter. O povo que o amava, virou as costas. Sim, o mesmo povo que há uma semana atrás estavam com os ramos nas mãos proclamando na entrada triunfal “bendito o que vem em nome do Senhor” eram exatamente os mesmos que gritavam “crucifica-o”. E Deus?...Deus sabia que este era o Plano Eterno. Jesus também pouco fez em seu favor, ele veio ao mundo para isto mesmo: Morrer em nosso lugar. Ninguém o matou, foi ele mesmo que voluntariamente entregou-se por nós. Jesus disse: Ninguém tira de mim a vida de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.
Eu não sou o promotor de defesa de Jesus. Ele não precisou de ninguém para defendê-lo. Alias, este evento já estava predito há séculos pelos profetas hebreus (Isaías 53). Nada mudaria o destino de Jesus, que ele mesmo aceitou em adoração ao Pai. Pois mais importante que a justiça cumprida na terra, era a Graça oferecida ao penitentes e algozes que “não sabiam o que estavam fazendo”. Por isto o Compassivo pôde dizer com amor incompreensível aos seus próprios assassinos:

"Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem."


Autor: Daniel Grubba
Fonte: [
Soli Deo Gloria ]
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http://bereianos.blogspot.com/2009/10/breve-analise-do-julgamento-judaico-de.html
 
 Reproduzido Por: Libredade 
 
 



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