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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Retrospectiva Gospel: da “evangelização” da Globo à comprovação da força dos evangélicos no Brasil; Relembre o que de importante aconteceu em 2012

Retrospectiva Gospel: da “evangelização” da Globo à comprovação da força dos evangélicos no Brasil; Relembre o que de importante aconteceu em 2012
O ano de 2012 foi bastante agitado no meio cristão nacional e internacional, devido a momentos como às eleições, a divulgação dos dados do Censo 2010, que apontaram crescimento dos evangélicos no Brasil, polêmicas envolvendo grandes líderes evangélicos, como Ana Paula Valadão, o pastor Silas Malafaia, apóstolo Valdemiro Santiago, bispo Edir Macedo, entre outros fatos.
Em uma grande reportagem, o Gospel+ juntou os principais fatos do ano e separou em duas matérias especiais. A de hoje falará dos grandes eventos, momentos e instituições que de alguma forma, seja positiva ou negativa, ganharam destaque neste ano de 2012. Na matéria que irá ao ar no dia primeiro de janeiro abordaremos os grandes nomes e personalidades do meio cristão mundial pontuando quem se destacou e quem “pisou na bola” neste ano que se encerra, lembrando assim das falas do Pastor Silas Malafaia, da saga vivida pelo pastor Yousef Nadarkhani, das opiniões polêmicas sobre sexo vindas do Bispo Edir Macedo, dos ataques do deputado Jean Wyllys e de outros que talvez você não lembre agora, mas que de alguma forma começaram a fazer parte da história em 2012.
Nossa retrospectiva anual começa hoje lembrando do fato que mais pautou análises e projeções: o crescimento do número de evangélicos no país, entre os anos 2000 e 2010. A revelação, feita pelo IBGE através da divulgação dos dados do Censo 2010, apontou um crescimento de 61% das pessoas que se declaram evangélicas, somando um total de 42,3 milhões de pessoas, ou 22,2% do total de brasileiros.
O meio evangélico presenciou ainda uma forte polêmica entre o ministro-chefe da Casa Civil do governo federal, Gilberto Carvalho, e as principais lideranças evangélicas do país. O homem considerado braço direito da presidente Dilma Rousseff protagonizou o debate iniciado no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, quando afirmou que o governo precisaria iniciar um debate ideológico com pastores, para obter maior influência junto à população evangélica. Entre os líderes que se manifestaram com repúdio à postura do ministro, estiveram o senador Magno Malta, o pastor e deputado federal Marco Feliciano e o pastor Silas Malafaia. O episódio foi superado após algumas reuniões e o ministro selou a paz com os evangélicos numa reunião em Brasília.
Outras discussões pautaram ainda o noticiário evangélico neste ano, e entre elas o anúncio do pastor Ricardo Gondim, que decidiu desvincular-se do movimento evangélico devido aos escândalos. Em sua justificativa, o pastor da Igreja Betesda demonstrou estar cansado pelos rumos que o movimento tomou e afirmou: “Passei a evitar a parceria de gente a quem eu jamais confiaria a carteira. Eu tinha que partir”.
Igreja Maranata viu-se envolvida num escândalo de corrupção, que resultou numa investigação do Ministério Público. As acusações feitas envolviam superfaturamento de compras da igreja, e desvio dos dízimos e ofertas dos fiéis. O caso ainda está sendo investigado, porém toda a cúpula da igreja foi afastada por ordem da justiça.

Sociedade

Na sociedade, os assuntos que tocaram diretamente o meio evangélico foram marcados pela intensidade dos debates. No início do ano, o polêmico julgamento sobre a descriminalização da “antecipação terapêutica do parto” de fetos anencéfalos, ou no popular “aborto de anencéfalos”, promoveu grande comoção entre os principais líderes cristãos do país. A divergência de opiniões a respeito do assunto pode ser ilustrada pelas posturas antagônicas de Marco Feliciano, que considerou a decisão um “assassinato”, e Ricardo Gondim, que aprovou a decisão sob o princípio de que “células se multiplicando não significa humanidade”. Em sua postura radicalmente oposta à dos demais, o pastor da Igreja Betesda afirmou que a decisão significava um avanço: “Vamos dormir em um Brasil melhor. Nenhuma mulher será mais obrigada a gerar um feto para a morte. Não é pouca coisa, nem foi pouca luta”.
Ainda sob o reflexo do embate entre o ministro Gilberto Carvalho e líderes evangélicos, o governo sinalizou com a possibilidade de proibir a locação de horários na TV para igrejas. A proposta faria parte do Novo Marco Regulatório para o setor de comunicações. Houve protestos por parte da bancada evangélica no Congresso, e talvez por sua impopularidade, a idéia não foi levada à diante pelo governo. A medida não agradou às igrejas e também às emissoras, que lucram com os horários alugados por igrejas. Um exemplo é a Band, que com 43 horas semanais de programação evangélica, arrecada anualmente R$ 276 milhões, fora o arrendamento da Rede 21 para a Igreja Mundial do Poder de Deus, por R$ 6 milhões mensais.
Outro tema de grande destaque nas manchetes dos veículos que cobrem o mundo cristão foi a tentativa do procurador federal Jefferson Aparecido Dias de, através da Justiça, obrigar o Banco Central (BC) a retirar a frase “Deus seja louvado” nas cédulas do Real, a moeda nacional. O BC se posicionou contrário à solicitação, e lembrou que além do sentido “amplíssimo” da palavra “Deus”, ela faz referência à Constituição Federal de 1988, que foi estabelecida “sob a proteção de Deus”. A Justiça recusou o pedido, pontuando que os custos da substituição das cédulas e moedas em circulação seria muito alto e causaria grande “intranquilidade” social, além do fato que a frase não representa uma imposição do Estado sobre o indivíduo. Contrário à mudança, o pastor Marco Feliciano prometeu apresentar um projeto de lei que proíba alterações nesse sentido.

Globo

De olho no crescimento dos evangélicos, a TV Globo investiu pesado na relação com esse público, não apenas na promoção e transmissão do Festival Promessas e convites a artistas para seus programas, mas também abrindo espaço de divulgação para a Marcha para Jesus e na aproximação dos líderes evangélicos. Analistas porém, afirmam que essa estratégia seria na verdade, um contra-ataque à TV Record.
A emissora carioca porém não passou imune às críticas de evangélicos em geral. A exibição de um casamento entre duas lésbicas no programa Na Moral, causou revolta ao pastor Silas Malafaia, que afirmou que o programa fazia uma “apologia ridícula” ao casamento gay. Malafaia, porém, foi questionado por outros líderes cristãos sobre o motivo de ele não ter criticado a novela Avenida Brasil, que apresentou uma personagem “evangélica” seminua em um de seus capítulos. O pastor da Assembléia de Deus Vitória em Cristo manifestou-se apenas dizendo que não se importa se o interesse da emissora global é comercial, pois os interesses dos evangélicos seriam apenas os do “reino”.
Outro motivo de críticas à Globo foi o título dado à atual trama apresentada às 21h00 pela emissora. Em sua estréia, Salve Jorge foi alvo de uma campanha contrária nas redes sociais. Os protestos causaram revolta na autora da novela, que afirmou que não se deveria “ampliar a voz dos imbecis”. Entretanto, apesar da campanha contra, o pastor Márcio de Souza criticou a “demonização” da novela, afirmando que o povo “côa mosquito e engole camelo”.
A aproximação das Organizações Globo com os evangélicos não se resumiu à reuniões e programas específicos. A Feira Internacional Cristã, apresentada há poucas semanas, é vista como uma investida do grupo para expandir sua influência no meio e concorrer com a Expocristã, já conceituada no meio evangélico.
Já o bispo Edir Macedo criticou a aproximação da emissora com os demais líderes cristãos e reafirmou que a meta de sua emissora, principal concorrente da Globo, é a liderança.

Política

Na política, houve críticas à atuação da bancada evangélica no Congresso, e o ambiente se tornou conturbado durante as eleições 2012, devido às bandeiras defendidas por alguns candidatos, e que, em essência, desagradavam os evangélicos. Em São Paulo, o candidato petista, Fernando Haddad, apadrinhado por Lula, venceu a disputa para a prefeitura, derrotando José Serra (PSDB). Haddad, que era ministro da educação quando foi iniciada a distribuição do material escolar apelidado de kit gay, teve a oposição cerrada do carioca Silas Malafaia, que prometeu arrebentá-lo na campanha. A postura agressiva fez com que até o próprio candidato apoiado por Malafaia, José Serra, buscasse um distanciamento do pastor, para evitar maiores problemas. No final, Haddad venceu Serra no segundo turno, confirmando estudo publicado pelo Datafolha, que indicava uma rejeição a candidatos apoiados por líderes religiosos.
Assista abaixo ao vídeo com as polêmicas declarações do pastor Silas Malafaia:
A disputa em São Paulo foi marcada por um fato inusitado: o candidato Celso Russomanno (PRB) liderou as pesquisas de intenção de voto em boa parte da campanha, porém, foi derrotado ainda no primeiro turno, ficando de fora da disputa no segundo. Apoiado pela Igreja Universal, denúncias sobre seu envolvimento com a denominação do bispo Macedo fizeram sua popularidade cair. Entre as denúncias, uma ex-obreira da Universal afirmou que o apoio da denominação visava facilitações para a construção do Templo de Salomão, obra milionária que a igreja vem tocando. Em resposta às acusações, Macedo publicou artigos criticando Haddad e em defesa de Russomanno.
O envolvimento de igrejas com políticos ou partidos visando interesses ou vantagens resultou ainda, numa acusação contra o missionário R. R. Soares, feita pela Folha de S. Paulo. De acordo com o jornal, Soares teria pedido votos por candidatos que buscavam a reeleição, como forma de garantir que licenças para construção dos templos da Igreja Internacional da Graça de Deus.
O presidente norte-americano Barack Obama, declaradamente evangélico, foi reeleito após disputa apertada contra o mórmon Mitt Romney. Durante a disputa, diversas lideranças cristãs criticaram o presidente por sua postura não tão conservadora, e apoio à união civil de pessoas do mesmo sexo. Apesar de tudo, Obama foi reeleito pelos cidadãos para continuar o processo de restauração da economia do país e maior atenção do Estado aos mais necessitados.

Igreja Mundial

O principal desafeto de Macedo, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, também esteve nos holofotes. Em alguns momentos, por sua criatividade para novas arrecadações, com o lançamento da colher de pedreiro “Prudente Contrutor”, ou pela “‘simbólica’ Fronha dos Sonhos”.
Em outros momentos, as atenções se voltaram a Valdemiro e sua denominação pela conturbada inauguração da Cidade Mundial em Guarulhos; por denúncias feitas através da TV Record a respeito da compra das fazendas no Mato Grosso e eventuais crimes cometidos na transação; ou até mesmo pelo choro em seu programa de TV, quando pedia mais doações dos fiéis para que pudessem ser saldadas dívidas da Mundial.
Reveja a reportagem do Domingo Espetacular com denúncias contra a Igreja Mundial e o apóstolo Valdemiro Santiago:
A sanha arrecadatória o levou ainda a modificar o princípio do dízimo, e sugeriu aos fiéis que doassem à igreja um valor que representasse 10% do que eles gostaria de ganhar, e não os 10% do que realmente ganhavam. Episódios como esse fizeram da igreja alvo de críticas por parte de pastores, que consideram a denominação à beira da heresia.
Apesar dos escândalos, a Igreja Mundial segue seu projeto de expansão na mídia e, segundo sites especializados em TV, a denominação encerra 2012 em plena negociação para a compra da Rede 21, pertencente ao Grupo Bandeirantes e arrendada pela própria Mundial desde 2008.

Mundial versus Universal

Classificadas como concorrentes, Universal e Mundial protagonizaram em 2012, uma guerra por fiéis, com episódios inusitados. Em um deles, uma pessoa supostamente possuída por demônios acusa a Mundial de ser templo de satanás. O divulgador do vídeo com a “entrevista” com o demônio foi ninguém menos do que o bispo Edir Macedo.
Assista à “entrevista” no vídeo abaixo:

Igreja Universal

A Igreja Universal do Reino de Deus completou 35 anos em 2012, e deu andamento a projetos audaciosos, como o megatemplo em Portugal, ao custo de R$ 32 milhões e o Templo de Salomão, uma réplica do templo descrito na Bíblia com lugares para 10 mil pessoas, com obras sendo realizadas 24 horas por dia.
A denominação foi novamente alvo de denúncias, processos e investigações. No México, bancos cancelaram contas da igreja devido às investigações por lavagem de dinheiro realizadas pelo Ministério Público no Brasil. A justiça também decidiu contra a denominação num processo movido por dois ex-membros da igreja, que se sentiram coagidos a fazer doações de dízimos.
A ênfase na arrecadação e a promessa de conquistas financeiras através da teologia da prosperidade levou a Universal a ser destaque na mídia por declarações como “O diabo não se importa tanto quando o povo tem saúde, mas continua pobre; quando tem uma boa família, mas continua pobre; quando se liberta dos vícios, mas continua pobre; quando tem um bom caráter, mas continua pobre”. O texto divulgado pelo site da igreja sugeria que pobreza é sinal de fracasso.
Uma das maiores denominações neopentecostais do Brasil, a Universal não é investigada apenas pelos órgãos públicos, mas também por anônimos, que montaram no Facebook, uma página onde são reunidas denúncias contra a denominação, ou pelo ex-obreiro, que acusa a igreja de impor metas de arrecadação. Porém, os planos da igreja, de acordo com o pesquisador Johnny Bernardo, são de dominar o Brasil: “Para realizar seu intento – de criar uma nação evangélica e “governada” por Deus -, Macedo estabeleceu uma série de estratégias, como eliminação das concorrências, investimento maciço em meios de comunicação, influência da sociedade por meio de campanhas de marketing e defesa de temas polêmicos, a exemplo da legalização do aborto, e a busca do poder pela organização política”.

Record

O investimento maciço em mídia feito pela Igreja Universal, mencionado por Johnny Bernardo, tem na TV Record seu principal expoente. A emissora, pertencente ao bispo Edir Macedo, produziu sua minissérie bíblica de maior sucesso, Rei Davi, que frequentemente derrotava a TV Globo no Ibope, e embora tenha recebido boas críticas devido à fidelidade ao texto bíblico, apresentou cenas de nudez, consideradas desnecessárias e ostentou o patrocínio de uma marca de cerveja, sob a justificativa de que se tratava de uma produção cara.
A Record ostentou durante todo o ano a meta de chegar à liderança, embora algumas vezes tenha ficado atrás do SBT em audiência. O investimento realizado pela emissora, porém, demonstra a vontade de chegar ao topo: em julho, Macedo recebeu a presidente Dilma Rousseff em Londres, na inauguração dos estúdios da emissora para a transmissão dos Jogos Olímpicos.
Entre os evangélicos porém, a Record sofreu muitas críticas, devido à ênfase em participantes homossexuais no reality show Fazenda de Verão, e pela reportagem do Domingo Espetacular, que atacou a prática “cair no espírito” numa longa reportagem, classificando-a como “falsa manifestação do Espírito Santo”.

Ateísmo

Os investimentos do movimento ateísta na difusão de seus ideais cresceram em 2012. A entidade American Humanist Association (AHA) lançou um site infantil para “converter” crianças ao ateísmo e “ensinar valores morais sem a necessidade de Deus”.
O crescimento do movimento talvez possa ser medido através do caso da pastora Teresa Macbein, que após anos de ministério, renunciou ao cargo para assumir sua condição de ateia.
Em 2012 também foi divulgado o conteúdo de uma carta escrito de próprio punho pelo físico Albert Einstein, em que ele afirmava entender que a crença em Deus seja uma lenda resultante de fraqueza e incapacidade humana.
Porém, o movimento ateísta também viveu surpresas durante esse ano. O mais famoso e ativo ateu do mundo, Richard Dawkins, afirmou não ter certeza que Deus não existe.
Uma emissora cristã de rádio britânica fez um estudo com a participação de 71 ateus durante 40 dias. O desafio aos ateus participantes era que eles orassem ao menos uma vez ao dia no período e relatassem suas experiências. Ao final, dois se converteram e outros dois viveram experiências marcantes que os fizeram refletir sobre a frieza e falta de compaixão das pessoas.

Ciência

No campo da ciência, houve a aproximação das pesquisas com a fé se deu através da descoberta do bóson de Higgs, ou a popularmente conhecida “partícula de Deus”. Embora a descoberta ainda não seja definitiva, estudiosos evangélicos ressaltaram sua importância: “Note-se que sem a existência desta partícula, os teóricos do Big Bang reconhecem que o Universo não podia sequer ter se formado após o Big Bang. A comprovação de sua existência não irá provar que o Universo se formou como diz a Teoria do Big Bang… Sua existência não prova que a matéria existe desde sempre ou pode trazer à existência tudo a partir do nada… E sua existência certamente não prova que as leis científicas que regem o Universo poderiam ser escritas sozinhas”, afirmou Jeff Miller, doutor e apologeta.
Uma pesquisa feita por arqueólogos norte-americanos ressaltou a descoberta de indícios da ressurreição de Jesus Cristo: “Nossa equipe se aproximou do túmulo com certa incredulidade, mas os indícios que encontramos são tão evidentes que nos obrigaram a revisar todas as nossas presunções anteriores”, declarou o chefe da equipe de pesquisa.
Por fim, entre os destaques do segmento no ano, esteve o bioquímico Marcos Eberlin, que rebateu a teoria da evolução, pregada por Charles Darwin e aceita por inúmeros cientistas. Eberlin afirmou que a Teoria da Evolução seria uma falácia: “Não aceito a evolução porque as evidências químicas que tenho falam contra ela”. Devido a sua postura, Eberlin foi alvo de protestos na Academia Brasileira de Ciências.

Cinema

A sétima arte, como são conhecidas as produções de cinema, ganhou projetos de filmes de temática cristã em 2012, e Hollywood viu o início de gravações que são tidas, pela indústria cinematográfica, como grandes apostas.
Investimentos de milhões de dólares em filmes que recontarão a história de Noé, Caim, Pilatos e outros – como o intitulado Gods And Kings, que está sendo produzido por Steven Spielberg – são vistos em Hollywood como uma grande oportunidade de atrair aos cinemas um público que se afastou devido às produções tidas como profanas.
No Brasil, o destaque foi para o lançamento do filme Três Histórias, Um Destino, que é uma adaptação do livro do missionário R. R. Soares e estreou com alta média de ocupação das salas. Assista ao trailer do filme:
A polêmica ficou por conta do boato de que o humorista Renato Aragão estaria produzindo um filme em que Jesus Cristo havia falhado em sua missão na Terra, e o personagem Didi o substituiria. Aragão negou que o filme estivesse em produção.

Internacional

Em todo o mundo, o cristianismo ocupou manchetes devido a perseguições e polêmicas. Na Nigéria, o grupo extremista Boko Haram realizou atentados contra cristãos; No Irã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad prometeu varrer Israel do mapa; e na web, ativistas muçulmanos prometeram morte aos cristãos.
Os cristãos formam, segundo a Universidade de Oxford, o grupo religioso mais perseguido do mundo, e em 2012, a cada cinco minutos, um cristão foi morto. Um missionário foi preso no Laos, país asiático, por converter 300 pessoas ao cristianismo.
Entre as muitas reações às ameaças, uma das mais inadequadas foi a do pastor Terry Jones, que queimou um exemplar do Alcorão. Já o pastor Silas Malafaia, criticou de forma veemente a postura da presidente Dilma Rousseff a respeito dos conflitos religiosos: “Perdeu a chance de ficar de boca fechada”, disse ele, falando sobre uma suposta “islamofobia”.
2012 marcou ainda a morte do fundador da Igreja da Unificação, reverendo Moon, e as declarações polêmicas do escritor J. J. Benítez, que criticou a Igreja Católica por não colaborar na averiguação da autenticidade dos Evangelhos: “A Igreja mente, manipula e censura”.

Fim do Mundo

As interpretações do calendário maia sobre supostas previsões do fim do mundo, que aconteceriam no dia 21/12/2012, renderam filme e documentários, e muitas histórias de gente que se propôs a criar fortalezas para resistir ao apocalipse e até, venda de perdões por parte de uma paróquia da Igreja Católica na Itália.
Todas essas histórias foram reunidas numa matéria especial sobre o fim dos tempos, publicada pelo Gospel+. No Brasil, o fundador de uma seita foi preso sob acusação de estelionato após sua previsão particular falhar e o mundo não acabar.

O que te marcou? O que falta acrescentar?

O que te marcou nesse ano? O que ainda falta ser lembrando nessa retrospectiva? Deixei seu comentário abaixo!
Como já anunciado, amanhã você irá ler um especial relembrando as principais personalidades brasileiras que de alguma forma tocaram no meio cristão em 2012. Além disso iremos apresentar números especiais como as notícias mais lidas e mais comentadas do site no ano. A segunda e última parte da retrospectiva vai ao ar nesta terça-feira, primeiro de janeiro de 2013. Não perca!
Postado Por Pr. Alair Alcântara
Liberdade

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A Criança Que Sempre Existiu


Há dois mil anos atrás nasceu em Israel uma criança que mais tarde pôde declarar, com toda a razão: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58).
Sobre o nascimento e o nome dessa criança a Bíblia relata: “Estando eles ali (em Belém), aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.6-7). José lhe “pôs o nome de Jesus” (Mt 1.25).
Um casal está a caminho. A mulher se encontra nos últimos dias da gravidez. Em breve seu filho irá nascer. Não em casa, mas na estrebaria de uma hospedaria superlotada. Não há berço para o bebê, que é colocado em uma manjedoura. O recém-nascido recebe o nome de Jesus.
Este nome viria a se tornar o mais famoso e significativo de toda a história da humanidade, e seu possuidor a personalidade mais importante de todos os tempos. Ele sobrepuja a todos os reis, poderosos, heróis, políticos e famosos de ontem e de hoje. Pessoa alguma tocou o mundo de maneira tão forte e perene quanto Ele. O que está por trás desse nome, dessa pessoa chamada Jesus?
É imprescindível ocupar-se com esse homem. Quem o negligencia, quem deixa de dar-lhe atenção perde o que existe de mais grandioso. Há algum tempo o correio devolveu um de nossos livros evangelísticos porque o destinatário não quis recebê-lo. Na justificativa da devolução estava escrito “Desnecessário”. Muitos pensam que Jesus é “desnecessário” para eles.
Jesus cresceu física, emocional e espiritualmente como um menino normal.
Bem diferente foi o comportamento dos magos do Oriente (Mt 2.1ss.). E Agur, que viveu muito tempo antes de Jesus nascer, já disse:“Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas na sua roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome do seu filho, se é que o sabes?” (Pv 30.4). O próprio Jesus dá a resposta: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do homem” (Jo 3.13).
Quem é a criança envolta em faixas que nasceu em um estábulo em Belém? Trata-se dAquele que já existe desde sempre.

Qual é o nome de Deus

Alguma vez você já se perguntou qual o verdadeiro nome de Deus? Ele deve ter um nome! Agur perguntou: “Qual é o seu nome, e qual é o nome do seu filho, se é que o sabes?” (Pv 30.4). Uma das perguntas que Moisés fez ao Senhor foi: “Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é seu nome? Que lhes direi?” (Êx 3.13).
A palavra “Deus” é apenas um título, um termo genérico, que também pode ser aplicado a pessoas. Em todas as épocas houve pessoas que se chamaram de “deuses”. O próprio Deus usou essa expressão quando disse que Moisés seria Deus para Arão: “Ele falará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus” (Êx 4.16).
O conceito de “deus”
– pode ser aplicado a Alá. Alá não é um nome próprio, pois significa simplesmente “deus”.
– pode ser aplicado aos “deuses” no sentido de falsas divindades e ídolos dos gentios: “Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti” (Dt 6.14).Em 1 Coríntios 8.5-6 está escrito: “Porque, ainda que há alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele”.
“Eu sou o bom pastor”
Mas como se chama o verdadeiro Deus, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó? Esse Deus tem um nome próprio atribuído somente a Ele. É um nome que não Lhe foi dado por ninguém, mas que Ele mesmo se deu e que descreve quem Ele é. Esse nome é representado pelo tetragrama YHWH, que em algumas traduções da Bíblia aparece como “Javé”, outras traduzem como “Jeová” e “Senhor”. Isso pode ser visto na resposta de Deus à pergunta de Seu servo Moisés: “Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor (Javé), o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração” (Êx 3.15). Quando Moisés estava muito abatido após seu primeiro encontro com Faraó e ao ouvir suas ordens negativas, o Eterno o animou com as seguintes palavras: “Eu sou o Senhor (Javé). Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O Senhor (Javé), não lhes fui conhecido” (Êx 6.2-3).

O que significa esse nome?

O Senhor explicou a Moisés, quando este perguntou por Seu nome: “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros... O Senhor (Javé), o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó...” (Êx 3.14-15). Com isso Deus estava se diferenciando de todos os outros deuses, pois Javé significa “Eu sou o que sou”. Esse nome exprime a existência eterna de Deus, aquilo que Ele é em toda a Sua pessoa.
Abraham Meister, erudito e profundo conhecedor da Bíblia, escreveu em um de seus comentários: “Javé é o absoluto ‘EU’ em sua plenitude divina máxima”. O nome próprio de Deus pode ser traduzido de nove maneiras diferentes. Através delas vemos que Deus é:
Eu sou o que sou.
Eu sou o que era.
Eu sou o que serei.
Eu era o que sou.
Eu era o que era.
Eu era o que serei.
Eu serei o que sou.
Eu serei o que era.
Eu serei o que serei.
Isso significa: “Eu sou Aquele que nunca veio à existência, que sempre é, que existe por si mesmo, o imutável, que é eternamente presente”.
“Eu sou a videira verdadeira”
Meister escreve: “A raiz ‘hwh’, da qual deriva a palavra ‘Javé’, significa ‘ser’, ‘vir a ser”. Ele é, portanto, ‘o que é’, que se torna conhecido como o que ‘vem a ser’. Ele se mostra ‘em uma auto-revelação constante e crescente’... Ele é auto-existente, que se revela a si mesmo...”
Esse nome era tão sagrado, grandioso e inacessível para os judeus que eles, por profundo respeito ao terceiro mandamento:“Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão”, nem ousavam pronunciá-lo. Ao invés de Javé, eles diziam “Senhor” (Adonai).

Quem é esse Deus?

Considero esse temor dos judeus exagerado, pois Deus queria ser chamado de “Javé”. Assim está escrito, por exemplo, em Joel 2.32: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor (Javé) será salvo” (veja também 1 Co 10.13).
O nome de Deus, “Javé”, está explicitamente ligado à salvação. É significativo ver que Deus se revela com esse nome em conexão com a salvação de Israel do cativeiro egípcio (Êx 3).
Ao estudarmos a auto-revelação divina através de Seu nome Javé, vemos que o Senhor tem salvação, ajuda e socorro para todas as pessoas e para todas as suas necessidades, por exemplo:
Javé-Raffá – o Senhor que sara.
Javé-Roi – O Senhor é o meu pastor.
Javé-Shalom – o Senhor é paz.
Javé-Tsidkenu – o Senhor é nossa justiça.
A salvação humana, porém, está personificada na revelação do Filho de Deus em Sua encarnação.

1. Deus se revela como Salvador

Através do profeta Isaías, Deus disse a Seu povo: “Porque eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador” (Is 43.3). E mais: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador” (Is 43.11).
Quando Jesus tornou-se homem, foi dito a Seu respeito: “O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11).
“Eu sou o pão da vida”

2. Deus se revela como Pastor

Davi fala de um bom pastor, “Javé-Roi”, no Salmo 23.1: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Sempre me perguntei por que o anjo do Senhor foi primeiro até os pastores nos campos de Belém para falar-lhes do Salvador. E dentro dessa perspectiva, revelada por um dos nomes de Deus, consigo entender melhor o porquê: o verdadeiro Pastor de Israel veio ao mundo para suprir as necessidades de todas as pessoas. Os pastores nos campos de Belém ouviram a proclamação: ‘Pastores de Belém! Vocês sabem lidar muito bem com as ovelhas! Agora chegou o Pastor de vocês! O Grande Pastor, o Supremo Pastor ‘Javé-Roi’!” (compare com 1 Pe 5.4).

3. Deus se revela como Rocha

Lemos sobre a “Rocha” de Israel: “Pois quem é Deus, senão o Senhor? E quem é o rochedo, senão o nosso Deus?” (Sl 18.31). E o apóstolo Paulo diz acerca dessa Rocha: “...e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo” (1 Co 10.4).
Deduz-se daí que:

Jesus é Deus

Existem algumas passagens do Novo Testamento onde o Senhor Jesus fala de si mesmo de maneira muito soberana, dizendo que é o “Eu Sou”. Ao fazer essa auto-revelação, Ele usa exatamente a mesma expressão com que Deus se revelou a Seu povo, no Antigo Testamento, como o único Salvador e Senhor do Universo.
Podemos dizer que Jesus é a pessoa da Trindade que se voltou para a humanidade; em Jesus, Deus voltou-se para nós. Não cremos em três deuses mas em um só Deus que se revela em três pessoas.
Vejamos a auto-revelação de Jesus Cristo como o “Eu Sou”:
1. Jesus diz em João 13.19: “Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU.” Jesus anuncia que é Javé, o “Eu Sou” do povo de Israel.
2. Encontramos uma das auto-revelações mais interessantes de Jesus por ocasião de Seu debate com as autoridades judaicas: “Por isso, eu vos digo que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. Então, lhe perguntaram: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Que é que desde o princípio vos tenho dito?” (Jo 8.24-25). Quando os judeus perguntaram: “És maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? Também os profetas morreram. Quem, pois, te fazes ser?” (Jo 8.53), Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo” (vv. 58-59).
“Eu sou a porta”
3. Jesus se apresentou como “Eu Sou” em outras situações:
“Eu sou o pão da vida” (Jo 6.35).
“Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12; 9.5).
“Eu sou a porta” (Jo 10.9).
“Eu sou o bom pastor” (Jo 10.11,14).
“Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25).
“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6).
“Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15.1).
4. A declaração mais marcante de Jesus dizendo que era Deus ocorreu quando Ele se encontrava no jardim Getsêmani. Lemos em João 18.3-6: “Tendo, pois, Judas recebido a escolta e, dos principais sacerdotes e dos fariseus, alguns guardas, chegou a este lugar com lanternas, tochas e armas. Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou eu. Ora, Judas, o traidor, estava também com eles. Quando, pois, Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra.”
Nessa ocasião, Jesus claramente se revelou com o nome de Deus, “Javé”, Aquele que existe por sua própria força e poder, Aquele que existe por si mesmo. Como conseqüência dessa revelação, tão explicitamente de acordo com a revelação divina que o povo de Israel conhecia, os que estavam presentes recuaram e caíram por terra.

A conseqüência dessa verdade

A declaração mais marcante de Jesus dizendo que era Deus ocorreu quando Ele se encontrava no jardim Getsêmani.
Esse Jesus, que veio ao mundo numa estrebaria, que passou pelo processo de se tornar humano ao nascer assim como nós, que cresceu como menino normal física, emocional e espiritualmente, que amadureceu e começou a envelhecer como qualquer pessoa, esse Jesus é Javé desde a eternidade e existe desde sempre.“Eu sou o que sou.” A Epístola aos Hebreus diz a Seu respeito: “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8).
Por que Jesus teve de se tornar homem? Porque Deus não pode morrer! Mas Deus queria morrer pelos pecados dos homens, de modo que tinha de se tornar homem e por isso veio ao mundo através de Jesus Cristo. Lemos sobre esse ato sublime de Deus se tornando homem : “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8). No grego, a expressão “subsistindo em forma de Deus” define uma forma, uma maneira de ser quando vista objetivamente por um espectador neutro, a forma como ela é em si mesma. Jesus é Deus e existe desde a eternidade como o próprio Deus.
Nascemos como seres humanos e desejamos entrar na vida eterna. Jesus veio da vida eterna e tornou-se homem para morrer. No jardim Getsêmani, quando Jesus se revelou como o “Eu Sou” e todos os seus inimigos recuaram e caíram por terra, Ele ordenou: “se é a mim, pois, que buscais, deixai ir estes (Seus discípulos)” (Jo 18.8). E então entregou-se voluntariamente para morrer.
Deus se entregou para que você possa “ir”, para que você fique livre. Deus morreu, para que você possa viver eternamente. Somente assim torna-se possível invocar o nome do Senhor para sermos salvos.
Por Jesus ser Aquele que é, Deus “o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra” (Fp 2.9-10). É por isso que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).
Não podemos invocar Deus maior que Javé, pois não existe quem seja superior ao “Eu Sou”. Através da encarnação de Jesus, através de Sua morte na cruz e através de Sua ressurreição temos a possibilidade de invocar Aquele que está acima de tudo e de todos. Para toda área de nossas vidas, para toda dor, para toda angústia e para todo pecado Ele é o verdadeiro e único sarador e Salvador. Ele controla qualquer situação com que possamos nos defrontar. Jesus disse com toda a autoridade: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Por essa razão aplicam-se a Ele as palavras de Isaías 43.11: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador.” (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

Postado Por Pr. Alair Alcântara

Liberdade

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estudo XI - RELAÇÕES CRISTÃS


Por Pr. Alair Alcântara!!


“Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Efés. 5:21)

Efésios 1-3 deu a teologia básica da Igreja. Do capítulo 4 em diante, Paulo discutiu a aplicação prática dessa teologia à vida cristã, que, entre outras coisas, ele conserva a unidade em meio à diversidade, enfatiza a caminhada cristã e constrói relacionamentos adequados.

Na análise final, o cristianismo é uma religião de relacionamentos dos crentes com Deus e uns com os outros. Não faz sentido pretender ter uma relação vital com Deus sem que esta relação afete a maneira como nos relacionamos com a família e com a comunidade. Igreja, lar e trabalho são os ambientes básicos da vida cristã. Não se pode ser santo na Igreja e demônio em casa.

Sujeitando-vos uns aos outros

Qual é atitude básica do relacionamento cristão? (Efés. 5:21)

A submissão cristã não deve ser confundida com servilismo, mas com a atitude adequada de humildade e consideração mútuas. É fácil reconhecer que essa atitude não é natural do ser humano, mas resultado da plenitude do Espírito, como também é o caso da comunhão e da adoração, dos cânticos e louvores e da gratidão ininterrupta (Efés. 5:19,20).

Assim considerada, a submissão não tem significado que normalmente lhe damos. A visão bíblica da submissão de forma alguma ensina uma posição ditatorial, autoritária e injusta nas relações sociais, onde um exerce pode e outro rasteja desamparado. Onde a submissão se constitui uma violação à consciência, ou contradiz a vontade de Deus, a posição corajosa de Pedro: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29) deve assumir o comando. O que a esposa, ou a filha, deve fazer quando o homem da casa insiste em que ela caia na prostituição a fim de atender suas necessidades econômicas? O que o filho deve fazer se o pai lhe ordena colocar-se na rua para vender drogas? Submeter-se? Nunca. A submissão nas relações humanas nunca é absoluta nem inquestionável. Na sua fronteira está a vontade de Deus. Submissão “no temos de Cristo” requer respeito por parte da esposa e dignidade e honra por parte do marido. Nenhum filho de Deus deve se tornar nem deve ser tratado como capacho.

Autoridade (Efés. 5:22 e Efés. 6:1,5)

A posição de liderança de Cristo é o modelo ao qual a Igreja se sujeita. Da mesma forma, a posição de liderança do marido, pai e senhor deve seguir o modelo estabelecido pelo cristianismo. Autoridade não é tirania nem é ilimitada. De fato, Paulo argumenta que tanto a autoridade como a submissão devem ser exercidas em Cristo. Amor, não poder, é a motivação por trás da autoridade para preservar a ordem de uma unidade organizacional como a casa ou o lar.

Diante do Senhor, todos estamos em igual condição: pecadores, necessitados da graça divina. Embora os conceitos de autoridade e submissão tenham sido pervertidos, isso não significa que não sejam bíblicos. Os que estão em posição de autoridade devem sempre lembrar-se de quem são em relação para com Deus e para com os que podem estar sob sua autoridade. Marido e esposa (Efés. 5:22-25)

Esta longa sentença é um testamento cristão sobre a santidade do casamento, que precisamos afirmar cada vez mais fortemente, nesta época em que o casamento se encontra sob ataque. A taxa de divórcio está crescendo cada vez mais, e o papel do lar na sociedade está cada vez mais abandonado. O apóstolo aconselhou os crentes a darem atenção a dois pontos significativos:

1-) Deus criou o casamento. Ele ordenou que homem e mulher se tornassem uma só carne. É por essa ordenança que o casamento recebe sua santidade.
2-) No casamento, o marido é descrito como a cabeça, assim como Cristo é a cabeça da igreja. A liderança de Cristo é definida pelo que Ele fez: amou a Igreja, sacrificou-se. A Igreja é como uma noiva com seu noivo (Cristo). Paulo está ordenando que o marido faça o que Cristo fez, e que a esposa responda como a Igreja fez.

Submissão e amor não colocam os cônjuges em posições antagônicas no casamento, mas os une. Afinal, submissão significa entregar-se totalmente ao outro.

Filhos e pais (Êxodo 20:12 e Efés. 6:1-4)

Nenhuma outra religião ou filosofia fez tanto pelas crianças como o cristianismo. Willian Wilbeforce, cristão devoto, fez cessar o trabalho infantil na Inglaterra. Willian Carey, pioneiro das missões cristãs, agiu para pôr fim ao casamento infantil e à cremação das viúvas na Índia. Ainda hoje, em áreas rurais da Índia, crianças não desejadas são sufocadas ou envenenadas, e os hospitais e pastores cristãos instalam berços fora de suas portas, para que essas crianças sejam colocadas ali, sem que ninguém note.

Na cultura romana, crianças fracas e deformadas eram afogadas (Barclay). Em uma época assim, Paulo escreveu aos pais cristãos e a seus filhos em uma famosa cidade romana. Como as crianças devem ter ficado encantadas por serem reconhecidas na carta do grande apóstolo!

A educação cristã deve começar em um lar cristão, e a primeira lição que as crianças devem aprender é a obediência e honra aos pais no Senhor. A primeira responsabilidade que os pais devem ter é a de ser modelos coerentes, não provocando os filhos à ira por uma vida de hipocrisia e incoerência. “Uma família bem ordenada, bem disciplinada, é um poder maior para demonstrar a eficiência do cristianismo, do que todos os sermões do mundo”.

Escravos e Senhores (Efés. 6:5-9)

O Império Romano tinha milhões de escravos nos dias de Paulo. Toda a estrutura econômica e social dependia do trabalho escravo. O direito de propriedade de um ser humano sobre outro, sem qualquer consideração ou respeito aos direitos e à dignidade que lhe foram outorgados por Deus, deve ter sido revoltante para um líder profundamente espiritual e sensível como Paulo.

Paulo reconhece que os escravos não podem mudar suas circunstâncias, mas podem conquista-las. Aqui temos uma boa filosofia cristã: embora não possamos destruir o mal no momento, não devemos deixar que o mal nos destrua.

O conselho de Paulo aos senhores é bastante específico. Ele os lembra que também têm um Senhor no Céu, de quem receberam graça e perdão dos pecados. Vem daí o seu apelo para que os senhores de escravos sejam bondosos, e não ameaçadores para com os seus servos.

O ministério de Paulo produziu frutos, e muitos senhores de escravos se tornaram cristãos fervorosos, juntamente com seus escravos.

O cristianismo não é uma filosofia, mas as boas-novas de relações redimidas. O Evangelho mostra seu poder não na arena de Atenas ou nas câmaras do Senado romano, mas nas ruas de Éfeso. Paulo sabia que uma teologia de redenção- maravilhosa como possa ser- só pode ter relevância se criar um mundo de novas relações.

Postado Por Pr. Alair Alcântara

Liberdade

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